vendredi 4 novembre 2016

Interview Patricia Andrade (Sinistro) - Septembre 2016


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Conversa com PATRICIA ANDRADE

Entre cidades…



(por Vlad Tepes)


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A musica é um terreno sem limites para explorar, e os Portugueses de Sinistro demonstram-nos isto com seu talento. O ultimo album, o inclassificável "Semente" (editado no 8 de Abril na Season of Mist), consegui repelir novas barreiras. Para iluminar nossa luz, fui encontrar Patricia Andrade, vocalista da banda. Aqui encontram suas palavras... em claro/escuro...

Patricia Andrade (Sinistro)



Vlad Tepes: Cara Patricia, tendo descoberto Sinistro um ano atrás e ter sido mesmo seduzido pelos seus universos, essa entrevista contigo é importante para mim. Proponho aproveitar o tempo para falar sobre a artista que tu és, em primeiro lugar sobre o teu papel fundamental no seio de Sinistro. Depois téras a oportunidade de nos contar qual artista és além desse "sinistro" círculo, se quiseres claro.

Sinistro "Semente"

Sinistro publicou recentemente seu segundo disco "Semente" no 8 de Abril, verdadeiro tesouro em termos de contrastes que aparece longo para domesticar e circunscrever. Qual é teu olhar sobre este álbum depois de alguns meses com algum recuo? Como seria possível o qualificar objectivamente/subjectivamente para pessoas que n o conhecem?
Patricia Andrade: Desde já agradeço o cumprimento. Definindo o álbum “Semente”, diria que é feito de harmonias e caos, de luz e sombra, de imagens sonoras. Uma viagem.

Vlad: "Semente" é a primeira realização como entidade oficialmente unificada em relação a formação. Foi uma passagem simbólica ou um continuum natural para ti?
Patricia: Quando gravei o EP “Cidade” com Sinistro, os nossos imaginários cruzaram-se, fizeram todo o sentido. Foi uma colaboração com a qual me identifiquei bastante e que na altura me recordo de pensar que seria muito bom dar continuidade a este encontro.
E aconteceu naturalmente. A banda convidou-me para fazer parte do projecto e aceitei. Ouve essa formalidade, mas a partir daí todo o processo fluiu. Posso dizer que antes do álbum ser “Semente” já me sentia em Sinistro.

Sinistro

Vlad: Três videos foram realizados para ilustrar "Semente" – Relíquia, Partida e Semente – com cada vez uma visão atípica e muito forte. Parece significar a importancia da dimensão visual no seio da arte de Sinistro. Como atriz, penso que não deves ser estrangeira a isto... pensas que é pertinente dizer isso?
Patricia: A dimensão visual é muito importante para Sinistro. Sobretudo pela possibilidade de colaborar e partilhar visões, estéticas com outros criadores. Os vídeos são espelho dessa vontade. O José Dinis (realizador) foi importantíssimo no processo estético. Falámos a mesma linguagem e foi uma partilha de ideias, uma escuta mútua.
Como actriz, considero elementar o lado estético, neste caso as imagens, não só para ilustrar como também complementar. Tudo no mundo, desde a Arte às coisas mais mundanas se manifestam através de imagens, de estéticas, reflecte, na maior parte das vezes o que está por detrás delas.

Vlad: Sinistro estabelece e desenvolve verdadeiros paisagens sonores, que parece na minha opinião a confluência entre introspecção e contemplação: parece-me que as emoção s projectam-se na paisagem, tal como ele dissolve-se dentro do psique do ouvinte. A este título, "Semente" constitui uma perfeita demonstração! O que pensas de tal pensamentos?
Patricia: Como referi anteriormente, pode dizer-se que é uma viagem e com tudo o que implica. Contemplação, introspecção, uma viagem que reflecte o que se vê.

Vlad: Depois da exploração conceptual de "Cidade" sobre a cidade de Lisboa, consideres "Semente" como uma obra profundamente enraizada na cultura e na alma portuguesas?
Patricia: Sim. “Semente” continua a visitar imagens, pessoas do quotidiano mas de uma forma mais interior, mais reflexiva. Simplificado: o EP “Cidade” é de fora para dentro, “Semente” é de dentro para fora. A cultura portuguesa vai estar sempre presente. Somos portugueses, vivemos em Portugal, há um estado, uma vivência da qual não nos podemos distanciar, é nossa. Seja no nosso quotidiano de acções simples, seja na forma como vemos o mundo. Pode não estar ilustrada de uma forma evidente, icónica mas a essência está sempre presente.

Sinistro & Patricia Andrade "Cidade"

Vlad"Cidade" foi a primeira colaboração entre todos os membros da formação atual, e havias estatuto de "guest" à luz do título "Sinistro & Patricia Andrade". Como produziu-se este encontro? Qual é teu olhar sobre este primeiro registro comum?
Patricia: Inicialmente Sinistro eram três músicos: Rick Chain (guitarrista), Fernando Matias (baixo/produtor) e Paulo Lafaia (baterista). Depois entrei eu e de seguida o Ricardo Matias (guitarrista).
O Rick Chain (guitarrista) foi ver um concerto de Pedro e os Lobos no qual eu era vocalista na altura. Mais tarde surgiu o convite para colaborar no EP “Cidade”. Eu já conhecia o Fernando Matias (baixista/produtor) e já tinha colaborado pontualmente em gravações que o Fernando tinha produzido. Digamos que já existiam referências de ambas as partes. E numa tarde, numa esplanada lisboeta, o Rick e o Fernando falaram do EP e da vontade de fazermos experiências em conjunto, dando-me total liberdade criativa. O EP estava praticamente fechado a nível de composição e sobre essa mesma composição comecei a escrever. Fomos para estúdio e como me foi dito, a liberdade foi total. E daí nasceu “Cidade”, da confiança, de um encontro de universos que pareciam distintos e eram tão próximos.

Sinistro

Vlad: Como eu dizia antes "Cidade" constitui um conceito-EP sobre a magnifica cidade lisboeta e aparece-me como um pedaço particularmente evocativo. Jà tem pensado desenvolver esse conceito com um álbum inteiro e/ou um complemento cinematográfico?
Patricia: Não sei se faria sentido desenvolver e apresentar como um álbum. O tempo do “Cidade” foi aquele tempo e foi fundamental para Sinistro, onde Sinistro se encontra actualmente. Há coisas que têm o seu tempo e espaço e são especiais nesse momento. Faz sentido reproduzi-las, mantê-las vivas. Desenvolvê-las… talvez já tenham dito tudo o que queriam dizer. No entanto, como se diz em português, uma expressão muito popular: “o futuro a Deus pertence”.
Já como componente cinematográfica: ficaríamos muito lisonjeados se alguém pensasse como um objecto artístico a desenvolver cinematograficamente. A Cidade I e Cidade II são músicas muito especiais para Sinistro talvez por isso, para já queremos mantê-las vivas tocando-as.

Patricia Andrade (Sinistro)

Vlad: A alma portuguesa é particularmente complexa e possui sua propria identidade, especialmente na sua maneira de reatar os temas do amor, da morte e da melancolia. Em relação com isto, como percebas a musica de Sinistro? Como a sentes tecida a esta alma atípica?
Patricia: Entrando directamente no cliché de que somos um país de poetas e que os temas que nos são mais próximos são os referidos, Sinistro não foge à regra.
Penso que não deixam de ser temáticas universais, mas sentidas, retratadas de formas diferentes. E aí entra a cultura de um país. Sinistro não pode fugir à herança da sua cultura. É um estado interior colectivo. Amor, Saudade, Memória, Morte, Melancolia. Estes “sentir” estão directa ou indirectamente nas paisagens sonoras, nas letras, na voz, no seu todo.

Vlad: A musica portuguesa é um património precioso com uma expressão única neste mundo. Alguns exemplos: Amália Rodrigues, Moonspell, Madredeus, Ava Inferi, Ricardo Ribeiro… O que pensas desses artistas que pertencem ora à esfera clássica, ora à uma franja mais contemporânea? Quais artistas gostarias de realçar aqui?
Patricia: Todos eles são importantes. Amália Rodrigues é obviamente um nome incontornável para que o fado, a musica portuguesa se destacasse no mundo. Madredeus inovou, reinventou o conceito de música tradicional/fado. Moonspell afirmou-se nobremente dentro do metal com alma portuguesa. Destaco estes três exemplos porque são os que conheço melhor. E todos os exemplos referidos fizeram com que amantes de música ficassem a conhecer melhor a nossa cultura. A música é poderosa e bela por isso.

Sinistro

VladVoltamos um bocadinho para trás com o primeiro álbum de Sinistro. E a única gravação sem ti e é quase totalmente instrumental. Como o vejas e tens um apego particular com ele?
Patricia: Ouvi o primeiro álbum depois do convite. Já tinha ouvido falar mas não tinha ouvido. Foi um álbum que à medida que ia ouvindo fui descobrindo. Ruas Desertas e O Dia Depois do Meu Funeral ficaram no ouvido. Fui gostando aos poucos. O meu gosto musical não é particularmente pesado.


Vlad: Sinistro percorrou e percorre ainda toda uma parte da Europa. Vocês fizeram escala no Roadburn tal como varias representaçãos em Portugal. Como viveste e o que sentiste durante esta turnê?
Patricia: Desde do lançamento do álbum, que aconteceu em Lisboa no Sabotage Club até ao final da tour no Roadburn foram maravilhosas experiências e todas positivas. Sinistro, antes dessas datas só tinha feito dois ensaios gerais abertos. Nunca tínhamos tocado ao vivo. Foi toda uma experiência. Foram as primeiras datas, ainda estás a tomar consciência, a adaptares-te, a sentir tudo e ao mesmo tempo uma dormência. Não sei explicar, definir. Há coisas que não se explicam. Só posso dizer que há felicidade nisso.
O Roadburn foi o culminar, o apogeu. Estás num festival de culto, com bandas que conheces, outras já ouviste falar. E estás ali. E de repente entras em palco com sala cheia e não esperavas! E no fim, não te lembras, porque é tudo tão grandioso, a energia, as pessoas, o momento. Foi uma experiência que não sei descrever, vai para além do racional. É um ritual, uma comunhão e nem sempre isso acontece. Sobretudo quando o público não conhece a banda. O Roadburn foi especial.

Sinistro @La Mécanique Ondulatoire, Paris 11 de abril de 2016

Vlad: Sinistro tocaram no 11 de Abril 2016 em Paris pela primeira vez. Que lembrança tens deste concerto ao mesmo tempo brilhante e confidencial?
Patricia: Paris. Foi um concerto intimista. Poucas pessoas. Mas foi um concerto com energia forte, presente. A minha experiência em palco é no teatro. Já representei para duas pessoas. Pode haver 1000 pessoas e não acontecer nada. Pode haver 15 e acontecer tudo. Quando a energia e comunicação se estabelecem é isso que faz acontecer algo ritualístico. Em Paris isso aconteceu.



Vlad: No palco as tuas interpretaçãos são impregnadas da tua postura de atriz. Essa dimensão é poderosa e alimenta perfeitamente os universos musicais desenvolvidos por Sinistro. Qual é a articulação e os pontos comuns entre ser atriz e cantora para ti?
Patricia: O facto de ser atriz foi fundamental. A consciência do corpo, da voz. Não é possível dissociar. A minha experiência enquanto atriz permitiu-me vocalizar, verbalizar o que sou em Sinistro. Faz parte. Se estivesse em Sinistro há 20 anos atrás não seria a mesma coisa. Era uma caixa fechada com um laçarote a cantar. Tenho 40. O crescimento, a experiência como atriz e pessoa é o resultado.

Vlad: A propósito do tipo de interpretação de Sinistro, acho que varios pontos são importantes para notar, començando com as projecçãos no fundo do palco. Algumas bandas contentam-se de fazer um certo enchimento apesar da iniciativa de Sinistro que gera uma verdadeira coerência entre som e imagem. O que querias dizer sobre isto?
Patricia: Como referi anteriormente para Sinistro o vídeo é uma componente muito importante. O diálogo entre a música e a imagem é algo onde nos queríamos e queremos focar. Que possa traduzir em imagens o que tocamos, um diálogo entre a música e imagem.

Patricia Andrade (Sinistro)


Vlad: No palco Sinistro apresenta uma habilidade vocal e instrumental cuidada e com muito precisão, como se a banda havia encadeado as turnês desde muito tempo. Como é que chegarem e como chegaste com tanto domínio?
Patricia: Todos nós tivemos bandas no passado (eu, mais “noviça” na música). Foram experiências muito importantes para que, no presente possamos ter uma maior consciência de tocar e estar em palco. Digamos que Sinistro ao vivo é isso mesmo: a experiência que todos foram adquirindo ao longo dos anos com outras bandas, outros projectos e ensaios semanais para desenvolver e apurar o que foi produzido em disco. Experiência, dedicação e muito trabalho.

Vlad: Se havia uma palavra, uma frase ou uma imagem que poderia representar Sinistro na tua opinião, o que seria?
Patricia: Comunhão.

Patricia Andrade (Sinistro)

Vlad: Como é que imaginas e querias o futuro da banda? Desejarias partilhar connosco outros projectos musicais e/ou extra-musicais?
Patricia: Não penso muito em termos futuros. O que Sinistro está a viver neste momento é único e especial. Estou a viver estes tempos bonitos e a desfrutá-los de uma forma tranquila, consciente. Já existe um esboço do próximo álbum e será trabalhar nesse sentido com a mesma entrega e Amor que foram feitos os anteriores. Relativamente a outros projectos, o tempo dirá. O foco está no Presente, em Sinistro.

Vlad: A partida, tu és uma atriz (e ainda hoje, penso eu) e vieste explorar a arte musical num segundo passo. Como se passou tal percurso?
Patricia: O percurso como atriz surgiu antes da música. Sempre gostei de música e de cantar, no entanto os projectos surgiram mais tarde. O primeiro projecto com temas gravados foi com Volstad, a minha primeira banda. Existiu sempre uma vontade de estar na música. E o percurso foi acontecendo sem grandes expectativas. E foi havendo encontros com pessoas que queriam criar, desenvolver projectos. Intimist foi outro projecto que aconteceu anos mais tarde que foi muito importante e tenho especial carinho porque foi espontâneo e o primeiro cantado em português. Depois seguiu-se Pedro e os Lobos em que tive a oportunidade de estar em palco como vocalista. Todos eles em registos diferentes musicalmente falando mas enriqueceram-me bastante como vocalista.

Patricia Andrade (Sinistro)

Vlad: Agora centremo-nos sobre o teu canto, se tu quiseres. Não quero ser demasiado elogioso mas acho que ele tem uma qualidade rara e uma complexidade excepcional; como aliás jà sabes, no palco ele propaga-se duma maneira muito especial. Tens certas fontas de inspiração, musicais ou extra-musicais?
Patricia: Obrigada mais uma vez Vlad pelo elogio. Existem inspirações. Na música existem várias: Diamanda Galás, PJ Harvey, Jarboe, Maria Callas, Bach, Glenn Gould, Nick Cave, Type O Negative, Tom Waits. São alguns dos artistas que tenho muito respeito e são profundamente inspiradores. Interpretam, vivem e sentem. Na literatura Sartre pelo modo como escreve, descreve, as palavras ecoam de uma forma muito forte. E depois, não menos importante, as pessoas com que me cruzo nas ruas, as histórias que oiço, são tudo inspirações. A “escuta” é uma forma de te inspirares. Se estiveres atento ao que te rodeia muita coisa te pode inspirar.

Vlad: Encaminhamos-nos a pouco e pouco até ao fim desta entrevista. Qual é a pergunta  que gostarias que te fizesse? (se quiseres podes respondê-la!) Em contrapartida qual é a pergunta que não se pode perguntar-te?
Patricia: Não sei responder J

Patricia Andrade (Sinistro)


Setembro 2016,
Dirigida por Vlad Tepes.


Quero agradecer Patricia
- com gratidão e calor -
para todo seu envolvimento
na realização dessa entrevista.


Patricia Andrade (Sinistro)







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Une conversation avec PATRICIA ANDRADE

Entre cidades…



(par Vlad Tepes)


La musique est un champ d'exploration sans limite, et les Portugais de Sinistro nous le démontrent avec talent. Leur dernier opus en date, l'inclassable "Semente" (édité le 8 avril dernier via Season of Mist), aura encore repoussé certaines barrières. Pour éclairer notre lanterne, je suis donc allé à la rencontre de Patricia Andrade, vocaliste de la formation. Voici ses mots... en clair/obscur...

Patricia Andrade (Sinistro)


Vlad Tepes : Chère Patricia, ayant découvert Sinistro il y a près d’un an maintenant, et ayant été par cette occasion littéralement envouté par ses univers, cette entrevue avec toi me tenait particulièrement à cœur. Je te propose donc de prendre un petit temps pour échanger autour de l’artiste que tu es, tout d’abord pour ton rôle capital au sein de Sinistro. Puis tu auras l’opportunité de nous narrer l’artiste que tu demeures au-delà de ce cercle "sinistre", si tu le désires bien entendu.

Sinistro "Semente"

Sinistro a publié récemment son second opus "Semente" le 8 avril dernier, véritable mine de contrastes demeurant longue à apprivoiser et à circonscrire. Quel regard portes-tu sur cet album avec ces quelques mois de recul ? Comment pourrais-tu le qualifier objectivement/subjectivement à des personnes qui ne l’auraient pas encore découvert ?
Patricia Andrade : Tout d’abord je te remercie pour le compliment. Pour définir l’album “Semente”, je dirais qu’il est composé d’harmonies et de chaos, de lumière et d’ombre, d’images sonores. Un voyage.

Vlad : "Semente" est la toute première réalisation en tant qu’entité officiellement unifiée en termes de line-up. Est-ce un passage symbolique ou bien un continuum naturel ?
Patricia : Quand j’ai enregistré l’EP “Cidade” avec Sinistro, nos imaginaires se sont croisés, ils ont pleinement fait sens. Ce fut une collaboration dans laquelle je me suis beaucoup reconnue et je me souviens penser à l’époque qu’il serait bon de poursuivre cette rencontre.
Et cela s’est passé naturellement. Le groupe m’a invité à faire partie du projet et j’ai accepté. Il y a eu cette formalité, mais à partir de là tout le processus s’est déroulé de manière fluide. Je peux vraiment dire qu’avant que l’album soit “Semente” je me sentais déjà faire partie de Sinistro.

Sinistro

Vlad : Trois vidéos ont été réalisées pour illustrer "Semente" – Relíquia, Partida et Semente – avec à chaque fois une vision atypique et très forte. Ceci semble signer l’importance de la dimension visuelle au sein de l’art de Sinistro. En tant qu’actrice, je pense que tu ne dois pas y être étrangère… est-il pertinent de dire cela ?
Patricia : La dimension visuelle est très importante pour Sinistro. Surtout dans la possibilité de collaborer et de partager des visions, des esthétiques avec d’autres créateurs. Les vidéos sont le reflet de cette volonté. José Dinis (le réalisateur) fut d’une grande importance dans le processus esthétique. Nous parlons le même langage et ce fut un partage d’idées, une écoute mutuelle.
En tant qu’actrice, je considère comme élémentaire l’aspect esthétique, dans ce cas précis les images, pas seulement pour illustrer mais aussi pour compléter. Tout dans le monde, de l’art aux choses plus banales se manifestent par le biais d’images, d’esthétiques, reflètent, la plupart du temps ce qu’il y a derrière elles.

Vlad : Sinistro créé et développe de véritables paysages sonores, semblant selon moi à la confluence entre introspection et contemplation : il m’apparait que le ressenti se projette dans le paysage, au même titre que ce dernier semble se fondre dans le psychisme de l’auditeur. A ce titre, "Semente" en constitue selon moi une complète démonstration ! Que penses-tu de telle réflexion ?
Patricia : Comme je l’ai mentionné avant, nous pouvons dire qu’il s’agit d’un voyage avec tout ce que cela implique. Contemplation, introspection, un voyage qui reflète ce qui est visible.

Vlad : Après l’exploration conceptuelle de "Cidade" autour de la ville de Lisbonne, considères-tu "Semente" comme une œuvre profondément enracinée dans la culture et l’âme portugaises ?
Patricia : Oui. “Semente” continue à parcourir des images, des personnes du quotidien mais sous une forme plus intérieure, plus réflexive. Pour simplifier : l’EP “Cidade” va de l’extérieur vers l’intérieur, “Semente” de l’intérieur vers l’extérieur. La culture portugaise sera toujours présente. Nous sommes portugais, nous vivons au Portugal, il y a un état, une expérience avec laquelle nous ne pouvons nous distancier, c’est la nôtre. Que ce soit dans les simples actes de notre quotidien, que ce soit dans la manière dont nous voyons le monde. Cela peut ne pas être illustré de manière évidente, iconique mais l’essence est toujours présente.

Sinistro & Patricia Andrade "Cidade"

Vlad : "Cidade" fut la toute première collaboration entre tous les membres du line-up actuel, et tu y avais le statut de guest au vu de l’intitulé "Sinistro & Patricia Andrade". Comment s’est produite cette rencontre ? Quel regard poses-tu sur ce premier enregistrement commun ?
Patricia : Au départ Sinistro est composé de trois musiciens : Rick Chain (guitariste), Fernando Matias (bassiste/producteur) et Paulo Lafaia (batteur). Ensuite je suis arrivée et tout de suite après Ricardo Matias (guitariste).
Rick Chain (guitariste) a été voir un concert de Pedro e os Lobos dans lequel j’étais vocaliste à l’époque. Plus tard a surgie l’invitation pour collaborer sur l’EP “Cidade”. Je connaissais déjà Fernando Matias (bassiste/producteur) et j’avais déjà collaboré ponctuellement sur des enregistrements que Fernando avait produits. Disons qu’il existait des références des deux côtés. Et en une après-midi, sur une esplanade lisboète, Rick et Fernando ont parlé de l’EP et du désir de créer des expériences ensemble, me donnant toute liberté créative. L’EP était quasiment achevé au niveau composition et sur cette même composition j’ai commencé à écrire. Nous sommes allés en studio et comme il m’a été dit, la liberté était totale. Et à partir de là est né “Cidade”, de la confiance, d’une rencontre d’univers qui paraissaient distincts et étaient si proches.

Sinistro

Vlad : Comme je le disais précédemment "Cidade" constitue un concept-EP sur la magnifique cité lisboète et m’apparait comme une pièce particulièrement évocatrice. Avez-vous envisagé de développer le concept au travers d’un opus complet et/ou d’un complément cinématographique ?
Patricia : Je ne sais pas si cela ferait sens de le développer et de le présenter comme un album. Le temps de “Cidade” fut ce temps-là et fut fondamental pour Sinistro, où Sinistro se situe aujourd’hui. Il y a des choses qui ont leur temps et leur espace et sont spéciales durant ce moment-là. Cela fait sens de les reproduire, de les maintenir vivantes. Les développer… peut-être ont-elles dit tout ce qu’elles avaient à dire. Cependant, comme l’on dit en portugais, une expression très populaire : "le futur appartient à Dieu".
Déjà comme composant cinématographique : nous serions vraiment flattés si quelqu’un le pensait comme un objet artistique à développer cinématographiquement. Cidade I et Cidade II sont de fait des musiques très spéciales pour Sinistro, et pour l’instant nous voulons les maintenir vivantes en les jouant.

Patricia Andrade (Sinistro)

Vlad : L’âme portugaise est particulièrement complexe et possède sa propre identité, notamment dans sa façon de relier les questions de l’amour, de la mort et de la mélancolie. A ce titre, comment perçois-tu la musique de Sinistro ? Comment la sens-tu tissée à cette âme si atypique ?
Patricia : Basculant directement dans le cliché que nous sommes un pays de poètes et que les thèmes qui nous sont les plus proches sont ceux précités, Sinistro n’échappe pas à la règle.
Je pense qu’elles ne cessent d’être des thématiques universelles, mais senties, dépeintes sous des formes différentes. Et c’est ainsi que rentre en ligne de compte la culture d’un pays. Sinistro ne peut fuir l’héritage de sa culture. C’est un état intérieur collectif. L’amour, la saudade, la mémoire, la mort, la mélancolie. Ces ressentis sont directs ou indirects dans les paysages sonores, dans les textes, dans la voix, dans son tout.

Vlad : La musique portugaise est un patrimoine précieux possédant une expression unique au monde. En voici quelques références triées sur le volet : Amália Rodrigues, Moonspell, Madredeus, Ava Inferi, Ricardo Ribeiro… Que penses-tu de ces artistes appartenant tantôt à la sphère classique, tantôt à une frange plus contemporaine ? Quels artistes aimerais-tu mettre en valeur ici ?
Patricia : Tous sont importants. Amália Rodrigues est évidemment un nom incontournable pour que le fado, la musique portugaise soient mis en évidence dans le monde. Madredeus a innové, réinventé le concept de musique traditionnelle/fado. Moonspell s’est affirmé noblement au sein du métal comme âme portugaise. Je mets en évidence ces trois exemples parce que ce sont ceux que je connais le mieux. Et tous les exemples cités ont fait que les amoureux de musique connaissent mieux notre culture. A ce titre la musique est puissante et belle.

Sinistro

Vlad : Revenons un petit peu en arrière avec le premier opus de Sinistro. Il est donc le seul enregistrement sans ta présence et demeure d’ailleurs quasi intégralement instrumental. Quel regard portes-tu sur lui et as-tu un attachement particulier à lui ?
Patricia : J’ai écouté le premier album après l’invitation. J’en avais déjà entendu parler mais n’en avais jamais écouté. C’est un album que j’ai découvert en l’écoutant. Ruas Desertas et O Dia Depois do Meu Funeral me sont restés dans l’oreille. Je l’ai apprécié progressivement. Mes goûts musicaux ne sont pas particulièrement "heavy".

Vlad : Sinistro a sillonné et sillonne encore une partie de l’Europe. Vous avez notamment fait escale au Roadburn tout comme plusieurs représentations au Portugal. Comment as-tu et qu’as-tu ressenti durant cette tournée ?
Patricia : Depuis le lancement de l’album, qui s’est produit à Lisbonne au Sabotage Club jusqu’au final de la tournée au Roadburn ont été de merveilleuses expériences et toutes positives. Sinistro, avant ces dates n’avait fait que deux tentatives générales ouvertes. Nous n’avions jamais joué sur scène. Ce fut une totale expérience. Durant les premières dates, tu prends encore conscience, tu t’adaptes, tu sens tout et en même temps un engourdissement. Je ne sais pas l’expliquer, le définir. Il y a des choses qui ne s’expliquent pas. La seule chose que je puisse dire c’est qu’il y a du bonheur là-dedans.
Le Roadburn fut le point culminant, l’apogée. Tu es dans un festival culte, avec des groupes que tu connais, d’autres dont tu as entendu parler. Et tu y es. Et soudain tu arrives sur scène devant une salle pleine et tu ne t’y attendais pas ! Et au final, tu ne te souviens plus, pourquoi tout est si grandiose, l’énergie, les personnes, le moment. Ce fut une expérience que je ne saurais décrire, cela va bien au-delà du rationnel. C’est un rituel, une communion et cela arrive rarement. Surtout quand le public ne connait pas le groupe. Le Roadburn fut très spécial.

Sinistro @La Mécanique Ondulatoire, Paris 11 avril 2016

Vlad : Sinistro s’est produit le 11 avril dernier pour la toute première fois à Paris. Quel souvenir gardes-tu de cette prestation à la fois brillante mais aussi confidentielle ?
Patricia : Paris. Ce fut un concert intimiste. Peu de personnes. Mais ce fut un concert avec une forte énergie, bien présente. Mon expérience de la scène vient du théâtre. Je me suis déjà produite devant deux personnes. Il peut y avoir 1000 personnes et que rien ne se passe. Il peut en avoir 15 et que tout arrive. Quand l’énergie et l’échange s’établissent c’est cela qui génère quelque chose de ritualiste. A Paris cela s’est produit.




Vlad : Scéniquement tes prestations sont assez imprégnées de ton jeu d’actrice. Cette dimension est puissante et alimente parfaitement les univers musicaux développés par Sinistro. Quelle articulation et peut-être quels points communs perçois-tu entre être actrice et vocaliste ?
Patricia : Le fait d’être actrice est fondamental. La conscience du corps, de la voix. Ce n’est pas possible de les dissocier. Mon expérience en tant qu’actrice m’a permis de vocaliser, de verbaliser ce que je suis dans Sinistro. Cela en fait partie. Si j’avais été dans Sinistro depuis 20 ans ce ne serait pas pareil. Ce serait une boite fermée avec un nœud papillon qui chante. J’ai 40 ans. Le développement personnel, l’expérience en tant qu’actrice et en tant que personne en sont le résultat.

Vlad : Concernant le jeu de scène de Sinistro, plusieurs points me semblent pertinents à relever, à commencer par les projections en fond de scène. Certains groupes se contentent de faire du remplissage alors que la démarche de Sinistro aboutit à une réelle cohérence entre son et image. Qu’aurais-tu envie de nous dire sur ce point ?
Patricia : Comme je l’ai dit auparavant pour Sinistro la vidéo est une composante très importante. Le dialogue entre la musique et l’image est quelque chose sur lequel nous voulions et voulons nous focaliser. Pouvoir traduire en images ce que nous jouons, un dialogue entre musique et image.

Patricia Andrade (Sinistro)

Vlad : Sur scène, Sinistro apparait avec une exécution vocale et instrumentale très soignée et d’une grande précision, comme si le groupe avait enchainé les tournées depuis fort longtemps. Comment en êtes-vous arrivés et comment toi particulièrement en es-tu arrivée à telle maitrise ?
Patricia : Nous tous avons eu des groupes par le passé (moi, la plus "novice" dans la musique). Ce furent des expériences très importantes pour que nous puissions avoir plus grande conscience de jouer et d’être sur scène. Nous dirions que Sinistro en live c’est cela même : l’expérience que nous avons tous acquis au long des années avec d’autres groupes, d’autres projets et essais hebdomadaires pour développer et déterminer ce qui fut produit sur disque. Expérience, dévotion et beaucoup de travail.

Vlad : S’il y avait un mot, une phrase ou une image qui représenterait Sinistro selon toi, de quoi s’agirait-il ?
Patricia : Communion.

Patricia Andrade (Sinistro)

Vlad : Comment perçois-tu et désirerais-tu l’avenir du groupe ? Souhaiterais-tu partager avec nous d’autres projets musicaux et/ou extra-musicaux ?
Patricia : Je ne pense pas trop en termes futurs. Ce que Sinistro est en train de vivre en ce moment est unique et spécial. Je suis en train de vivre ces jolis temps et m’en délecter tranquillement, consciente. Il existe déjà une ébauche du prochain album et il s’agira de travailler dans le même sens avec le même investissement et le même Amour avec lesquels les précédents ont été faits. A propos d’autres projets, le temps le dira. Le focus est sur le Présent, au sein de Sinistro.

Vlad : Au départ tu es actrice (encore aujourd’hui à ma connaissance) et tu es donc venue explorer l’art musical dans un second temps. Comment s’est produit tel cheminement ?
Patricia : Le parcours en tant qu’actrice est venu avant la musique. J’ai toujours aimé la musique et de chanter, toutefois les projets ont surgi plus tard. Le premier projet avec des compositions enregistrées fut avec Volstad, mon premier groupe. Il a toujours demeuré une volonté d’être dans la musique. Et la voie est venue progressivement sans grandes expectatives. Et c’est en faisant la rencontre de personnes qui souhaitaient créer, développer des projets. Intimist fut un autre projet qui arriva quelques années plus tard qui fut très important et j’en garde une affection particulière car il fut spontané et mon premier chant en portugais. Ensuite a suivi Pedro e os Lobos avec lequel j’ai eu l’opportunité d’être sur scène en tant que vocaliste. Tous dans des registres différents musicalement parlant mais ils m’ont beaucoup enrichi comme vocaliste.

Patricia Andrade (Sinistro)

Vlad : Centrons-nous à présent sur ton chant si tu le veux bien. Sans vouloir te couvrir d’éloges, je le trouve d’une qualité rare et d’une complexité exceptionnelle ; comme tu le sais déjà d’ailleurs, sur scène il prend pour moi une ampleur toute particulière. As-tu des sources d’inspiration particulières, qu’elles soient musicales ou extra-musicales ?
Patricia : Merci une fois de plus Vlad pour l’éloge. Il existe des inspirations. Dans la musique il y en a plusieurs : Diamanda Galás, PJ Harvey, Jarboe, Maria Callas, Bach, Glenn Gould, Nick Cave, Type O Negative, Tom Waits. Voici quelques uns des artistes pour lesquels j’ai beaucoup de respect et qui sont profondément inspirants. Ils interprètent, vivent et sentent. En littérature Sartre pour la manière d’écrire, décrire, les mots résonnent de façon très forte. Ensuite, non moins important, les personnes que je croise dans les rues, les histoires que j’entends, elles sont toutes des inspirations. L’"écoute" est une manière de t’inspirer. Si tu restes attentif à ce qui t’entoure beaucoup de choses peuvent t’inspirer.

Vlad : Nous nous acheminons peu à peu vers la fin de cette entrevue. Quelle question aurais-tu souhaité que je te pose ? (je te laisse d’ailleurs le loisir d’y répondre si tu le souhaites !) A contrario quelle question je n’aurais jamais dû te poser ?
Patricia : Je ne saurai répondre. J

Patricia Andrade (Sinistro)


Septembre 2016,
Dirigée et traduit par Vlad Tepes.


Je tiens à remercier Patricia
- avec gratitude et chaleur -
pour l'entièreté de son implication
dans la réalisation de cette entrevue.


Patricia Andrade (Sinistro)

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